Audrey Hepburn – a Diva

Biografia

Audrey Kathleen Hepburn-Ruston (Bruxelas, 4 de maio de 1929 — Tolochenaz, Vaud, 20 de janeiro de 1993) foi uma premiada atriz e humanitária britânica. É considerada um ícone de estilo e, segundo o American Film Institute, a terceira maior lenda feminina do cinema, atrás apenas de Katharine Hepburn e Bette Davis.

Hepburn estreiou diversos filmes, entre eles Bonequinha de Luxo e A Princesa e o Plebeu, filme que lhe rendeu o Óscar de Melhor Atriz, além de indicações ao Globo de Ouro, ao BAFTA e ao NYFCC Award. Foi a quinta artista, e a terceira mulher, a conseguir ganhar as quatro principais premiações do entretenimento norte-americano, o EGOT – acrônimo de Emmy, Grammy, Óscar e Tony.

Em 8 de fevereiro de 1960, ganhou uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood, em homenagem à sua dedicação e contribuição para o cinema mundial. A sua morte deu-se em virtude de um cancro de apêndice, em 20 de janeiro de 1993, na cidade de Tolochenaz, na Suíça.

Audrey Hepburn em 1956

Era a filha única de Joseph Anthony Hepburn-Ruston (um banqueiro britânico-irlandês) e Ella van Heemstra Hepburn-Ruston (uma baronesa holandesa descendente de reis ingleses e franceses). Tinha dois meio-irmãos, Alexander van Heemstra Ufford e Ian Quarles van Heemstra Ufford, do primeiro casamento da sua mãe com um nobre holandês.

Os pais de Audrey divorciaram-se quando ela tinha 9 anos. Para manter a jovem afastada das discussões familiares, a sua mãe enviou-a para um internato na Inglaterra, onde ela se apaixonou pela dança, aprendendo balé. Todavia, em 1939 arrebenta a Segunda Guerra Mundial, e a Inglaterra declarou guerra à Alemanha. A mãe de Audrey decidiu então levá-la para viver na Holanda, país neutro que – ela imaginava – não seria invadido pelos alemães. Os protestos de Audrey não foram suficientes: a menina queria continuar na Inglaterra, mas a mãe temia que cidade de Londres fosse bombardeada. Além disso, as viagens estavam escassas, e a baronesa receava ficar muito tempo sem ver a filha.

A situação na Holanda foi bem diferente da planeada. Com a invasão nazista, a vida da família foi tomada por uma série de privações: Audrey teve muitas vezes de comer folhas de tulipa para sobreviver. Envolvida com a Resistência, muitos de seus parentes foram mortos vítimas da guerra. Ela participaria de espetáculos clandestinos de balé para angariar fundos e levaria mensagens secretas em suas sapatilhas. Anos mais tarde recusaria o papel de Anne Frank no cinema.

Com o fim da Guerra, Audrey e sua mãe mudaram-se para a Inglaterra, onde ingressou na prestigiada escola de balé Marie Rambert. Mas sua professora foi categórica: ela era alta demais e não tinha talento suficiente para tornar-se uma bailarina prima. Desiludida, passou a trabalhar como corista e modelo fotográfica para garantir o sustento da família.

Foi neste ponto que decidiu investir noutra área: a atuação. Investindo no teatro, sua estreia foi no documentário Dutch in Seven Lessons, seguido por uma série de pequenos filmes. Em 1952, viajou para a França para a gravação de Montercarlo Baby, e foi vista no saguão do hotel em que estava hospedada com o elenco pela escritora Collette. Naquele momento, Collette trabalhava com a montagem para a Broadway da peça Gigi, cujo papel-título ainda não tinha intérprete. Encantada com Audrey, decidiu que ela seria a sua Gigi.

As críticas para Gigi não foram de todo favoráveis, mas era opinião geral que aquela desconhecida que interpretava o papel principal era destinada ao sucesso.

Pouco tempo após o encontro com Collette, Audrey participou numa audição para o filme A Princesa e o Plebeu. Encantado com a atriz, o diretor William Wyler escalou-a para viver a Princesa Ann, dividindo a cena com Gregory Peck, que também se surpreendeu com o talento da companheira.

O sucesso da produção foi também o de Audrey. Hollywood amou-a imediatamente e a agraciou com o Óscar de Melhor Atriz.

Três dias após a cerimónia do Óscar, recebeu o Tony pela sua atuação em Ondine. Em 1953 a peça Sabrina Fair de Samuel A. Taylor ainda estava a ser montada na Broadway quando os executivos da Paramount Pictures perceberam que sua história era perfeita para ser utilizada no novo filme da nova estrela do estúdio; a vencedora do último Óscar Audrey Hepburn. Para adaptar o filme para as telas a Paramount convidou o também premiado Billy Wilder, que já havia vencido o Óscar em 1945 pelo seu ótimo trabalho em Farrapo Humano e que vinha de consecutivos sucessos como Sunset Boulevard, Ace in the Hole, e Stalag 17. Em parceria com o autor da peça Samuel Taylor e com o ótimo roteirista Ernest Lehman, Wilder passou a reescrever Sabrina, o filme que fora o maior sucesso do estúdio em 1954. O filme rendeu à atriz a sua segunda indicação ao Óscar. A princípio, para estreiar o romance ao lado de Hepburn, haviam sido convidados Cary Grant e William Holden, no entanto pouco antes do início das filmagens Grant desligou-se do projeto sendo substituído pelo renomado Humphrey Bogart. Durante as filmagens, apaixonou-se por William Holden e começaram a namorar. Sempre tímida, ele foi sua primeira paixão. Após alguns meses, tornaram-se noivos. Audrey temia ser mãe solteira, e pedia a William que apressasse o casamento, pois já estavam noivos e ela poderia engravidar a qualquer momento, mas a jovem decidiu terminar a relação quando William revelou que ainda era legalmente casado, por mais que estivesse separado, e por mais que mantivessem relações, ele não a engravidaria, já que fez uma vasectomia. Audrey ficou desolada. Tinham planos de casar, e seu grande sonho era ser mãe. Ela agradeceu pela honestidade e sinceridade dele, de ter contado toda a verdade antes do possível casamento. Ele a compreendeu e tornaram-se amigos.

A peça Ondine fora uma sugestão de Mel Ferrer, por quem se apaixonaria durante a temporada na Broadway. Os dois foram apresentados por Gregory Peck numa festa em 1954. Com poucos meses juntos, decidiram casar-se em setembro daquele ano. O filho de Audrey e Mel, Sean, nasceu em 1960. Pela vontade do casal, teriam um filho logo após o matrimónio, mas Audrey não estava a conseguir engravidar. Após diversos tratamentos, chegou a engravidar quatro vezes, mas em todas as gestações sofreu aborto espontâneo. A atriz queria mais do que tudo ser mãe, e por muitos anos sofreu com depressão e ansiedade. Para animar a esposa, Mel sugeria que ela trabalhasse com entusiasmo para esquecer os problemas, já que a jovem amava o que fazia. O filho do casal nasceu quando os médicos recomendaram que ela parasse de tentar engravidar, pois corria riscos de novos abortos, onde arriscaria sua própria vida. Na sua última tentativa, conseguiu dar à luz um menino saudável, a sua maior conquista. Ela e o marido gravaram juntos Guerra e Paz, e ela estrelaria três comédias-românticas – Cinderela em Paris, Amor na Tarde e A Flor que não morreu –, um drama – Uma cruz a beira do abismo, que lhe rendeu a terceira indicação ao Óscar e afastou qualquer dúvida sobre seu talento, – e um faroeste – O passado não perdoa.

Após um ano e meio de licença-maternidade, voltou a Hollywood para estreiar Bonequinha de Luxo, num papel que a transformaria  num ícone e pelo qual seria lembrada para sempre. Por viver a acompanhante de luxo Holly Golightly ela receberia sua quarta indicação ao Oscar. Pouco tempo depois filmou Infâmia, Charada e Quando Paris alucina.

Em 1963, recebeu o papel principal do musical My fair lady, o da vendedora de flores Eliza Doolittle. Entretanto, a voz de Audrey não foi utilizada durante as canções, sendo dublada. Isso deixou a atriz extremamente aborrecida e fez com que abandonasse as gravações por um dia. Audrey não foi indicada ao Oscar por esse papel – fato que até hoje é considerado uma injustiça – devido à dublagem e também pela não-escolha de Julie Andrews (que interpretara Eliza na Broadway) para o papel. Andrews ganharia o Oscar daquele ano por seu papel em Mary Poppins.

Em seguida gravaria Como roubar um milhão de dólares, Um caminho para dois e Um clarão nas trevas, este último dirigido por seu esposo numa falha tentativa de salvar o seu casamento. Audrey Hepburn e Mel Ferrer divorciaram-se em dezembro de 1968. As constantes crises de ciúmes do marido, queria que ela deixasse a carreira para cuidar da família, fizeram-na sentir-se presa e infeliz. Após discussões diárias por ele negar-se a dar a separação, Audrey saiu de casa com o filho. Após um processo na justiça, o divórcio saiu poucos meses depois.

Ela decidiu parar de atuar e passou a viajar com as amigas para se distrair. Numa dessas viagens, se apaixonou perdidamente por um médico, com quem se casaria apenas seis semanas após o divórcio. Ele era o psiquiatra italiano Andrea Dotti, que Audrey conheceu em um iate. Mesmo com poucos mes juntos, decidiram oficializar a união. Sem esperar, Audrey foi pega de surpresa com uma nova gestação, ficando ficando muito apreensiva, mas correra tudo bem. Audrey deu à luz o seu segundo filho, Luca, em 1970. O casal morou por um ano em Roma, para em seguida a atriz ir viver na Suíça com o marido e os dois filhos.

Decidiria voltar a atuar em 1976, estrelando Robin e Marian. Três anos mais tarde voltaria à cena em A herdeira.

Após descobrir uma traição do marido, ficou muito abalada e saiu de casa com os filhos em 1980. Após longo processo na justiça, por ele se negar a dar o divórcio, querer a guarda do filho e formalizar a partilha dos bens, o processo só foi foi concluído em 1982, favorável a Audrey, que ficou com a maior parte da fortuna e com a guarda do filho. A atriz decidiu não mais casar-se. Ia se dedicar a carreira e aos filhos, e só se envolveria com alguém por um compromisso sério de namoro, não matrimónio. Neste período, gravou Muito riso e muito alegria, e no fim das filmagens conheceu Robert Wolders. Tornaram-se namorados e ficaram noivos. Estiveram juntos por nove anos, até a morte de Audrey.

Em 1987 deu início ao seu mais importante trabalho: o de Embaixatriz da UNICEF. Audrey, tendo sido vítima da guerra, sentiu-se em débito com a organização, pois foi o “United Nations Relief and Rehabitation Administration” (que deu origem à UNICEF) que chegou com comida e suprimentos após o término da Segunda Guerra Mundial, salvando sua vida. Ela passaria o ano de 1988 viajando, viagens estas que foram facilitadas por seu domínio de línguas (Audrey falava fluentemente francês, italiano, inglês, neerlandês e espanhol).[9]

Em 1989 faria uma participação especial como um anjo em Além da eternidade. Este seria seu último filme. Audrey passaria seus últimos anos em incansáveis missões pela Unicef, visitando países, dando palestras e promovendo concertos com causas.

Em 1992 foi-lhe diagnosticado um cancro no apêndice, que se espalhou para o cólon intestinal. Iniciou o tratamento, mas após pouco mais de um ano, não resistiu e faleceu às 7 horas da noite de 20 de janeiro de 1993, aos 63 anos. Encontra-se sepultada no cemitério de Tolochenaz, Vaud na Suíça.

No ano de 2000 foi lançado o filme The Audrey Hepburn Story, uma homenagem a Audrey que gerou críticas pela comunicação social e pelas fãs, devido à escolha de Jennifer Love Hewitt para o papel principal.

In wikipédia, adaptado

Amores e Desamores

Custa acreditar que uma das mulheres mais adoradas pelo público durante gerações tivesse tanto azar no amor. Audrey Hepburn, heroína romântica na tela e cuja morte completa 20 anos hoje, teve uma vida cheia de carências afetivas que só foi suprida como embaixadora do Unicef.

Cinco indicações ao Óscar… e cinco abortos. Duas estatuetas… e dois casamentos fracassados. Audrey Hepburn, provavelmente o ícone do cinema clássico mais lembrado junto com Marilyn Monroe, cativou na audiência algo que ela sentiu saudades desde menina: o carinho e a adoração.

Musa da Givenchy na moda, de Stanley Donen, Billy Wilder, George Cukor e Blake Edwards no cinema… mas rejeitada por Albert Finney e Ben Gazzara na vida real. Sua beleza era mais etérea que sexy e sem a aura do glamour de filmes como A Princesa e o Plebeu e Bonequinha de Luxo, Audrey se sentia menor.

“Acho que o sexo é supervalorizado. Não tenho “sex appeal” e sei disso. De fato, prefiro ter um aspecto curioso. Meus dentes são curiosos e não tenho os atributos que deveria ter uma deusa do cinema”, falava sobre si mesma.

Nos registros oficiais, dois casamentos: um com Mel Ferrer, notavelmente maior que ela e de um físico pouco felizardo, e outro com o aristocrata e neuropsiquiatra italiano Andrea Dotti. Com o primeiro substituiu o verdadeiro amor pela admiração profissional. Com o segundo, pela “dolce vita”.

Com eles teve seus dois filhos, Sean e Luca, outra de suas obsessões, pois por esterilidade tinha descartado alguns de seus amantes mais apaixonados, como William Holden e Robert Anderson.

Conheceu Ferrer em uma festa na casa de Gregory Peck e ele lhe ofereceu um papel em Ondine, uma peça na Broadway, e, como dizem, uma coisa levou à outra.

Em 1954 já estavam se casando na Suíça em grande estilo e Audrey tentou combinar sua emergente carreira e seu novo casamento, até o ponto de rejeitar Gigi para rodar Cinderela em Paris na capital francesa, onde Ferrer trabalhava com Jean Renoir em”Elena et les Hommes.

Em pouco tempo, Ferrer foi tomado de ciúmes pelo sucesso de sua esposa e o divórcio chegaria em 1968, pouco após seu último êxito, Um Clarão nas Trevas, produzido por Ferrer.

“Não posso explicar a desilusão que senti. Sabia que era difícil estar casado com uma estrela mundial. Mel sofreu muito. Mas, acredite, eu pus minha carreira em segundo lugar”, disse a atriz na época.

Porém, um ano mais tarde, já estava se casando com Dotti, um dos solteiros mais cobiçados de sua época. Ela tinha 40 anos e ele 31, invertendo os papéis de seu casamento anterior, e foi Audrey que enlouqueceu de ciúmes ao ver os paparazzi fotografarem seu “latin lover” com outras mulheres.

Além disso, vários abortos a levaram a um estado de depressão, embora finalmente tenha conseguido dar à luz a seu segundo filho, Luca. O divórcio aconteceu apenas em 1982.

Mas, nesse meio tempo, a atriz continuou buscando o amor nos braços de seus companheiros de filmagem. “Chegou um momento em que sua vida se transformou em algo triste e patético e alcançou um grau de desespero no qual chegou a permitir que lhe tratassem mal”, declarou Donald Spoto, ao apresentar sua biografia da atriz em 2006, a respeito da relação de Audrey com Ben Gazzara.

Gazzara lembrou assim seu romance em 1970. “Ela era infeliz com seu casamento e eu também e nos consolamos, mas era impossível. Ela tinha sua vida na Europa e eu em Los Angeles. A vida ficou entre nós”, declarou o ator, que também ressaltou a insegurança de Hepburn como atriz.

Esse relacionamento seguiu o padrão de outro ocorrido poucos anos antes, quando ainda era casada com Mel Ferrer, durante seu romance extraconjugal mais famoso, com Albert Finney durante a filmagem de Um Caminho para Dois. Porém, o ator não pôde com tanta intensidade.

As carências afetivas tinham nascido já na infância. “Nasci com uma enorme necessidade de receber afeto e uma terrível necessidade de dá-lo”, dizia a atriz.

Abandonada por seu pai e com uma mãe incapaz de transmitir esse carinho, forjou uma insegurança que a tornou hidrofóbica e lhe fez chorar quando viu que não tinham respeitado sua voz nas canções de My Fair Lady.

A delicadeza deslumbrante de Audrey Hepburn na tela tinha um revés preocupante na vida real. E assim, marcada pela filmagem de Uma cruz à beira do abismo, acabou se entregando às causas humanitárias.

“No final encontrou o sentido de sua vida em seu trabalho com a Unicef. Mas foi praticamente por eliminação”, resumiu Donald Spoto.

Missões na Somália e El Salvador como Embaixadora de Boa Vontade do Unicef, mas nas condições de uma voluntária a mais, lhe garantiriam um Óscar honorífico. E assim, faleceu, sentimentalmente realizada, finalmente, no dia 20 de janeiro de 1993 aos 63 anos.

“Tive momentos muito difíceis em minha vida. Mas fossem quais fossem, os superei e sempre encontrei uma recompensa no final”, comentou a atriz.

http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/01/morte-de-audrey-hepburn-ultima-heroina-romantica-completa-20-anos.html

Esther Afua Ocloo, a rainha dos microcréditos

Esther Afua Ocloo (1919-2002) foi uma empresária ganesa, famosa por ter sido uma pioneira do microcrédito. Foi uma das fundadoras da Women’s World Banking em 1976, com Michaela Walsh e Ela Bhatt, tendo servido como a primeira curadora da instituição.

Esther Afua Ocloo

Popularmente conhecida como “Tia Ocloo”, a empresária e defensora dos microcréditos trabalhou incansavelmente para ajudar outras pessoas como ela a ter sucesso. Esther Afua Ocloo tinha apenas seis xelins – menos de um euro – quando fez e depois vendeu o seu primeiro frasco de marmelada na década de 1930, ainda como uma adolescente.

Esther estava decidida a expandir o seu negócio de marmelada e sumo de laranja, mas precisava de um empréstimo para aumentar a produção, e o crédito era difícil de conseguir para as mulheres pobres. Com muita persistência, acabou por assinar um contrato de fornecimento para garantir o dinheiro para iniciar a sua empresa, a Nkulenu Industries.

Depois de viajar para Inglaterra para aprender as mais recentes técnicas de processamento de alimentos, Esther voltou para casa e partilhou essas habilidades com outras mulheres do Gana. Talvez ainda mais importante, ela ensinou-lhes tudo o que sabia sobre o início e funcionamento de um negócio.

A “Tia Ocloo” teve um grande impacto em África e no resto do mundo, tanto que em 1975 foi convidada para a primeira Conferência Mundial das Mulheres da ONU.

Women's World Banking

Esther sabia que emprestar dinheiro às mulheres poderia ter um efeito de contágio, melhorando a prosperidade e a saúde das mesmas, bem como das suas comunidades. Mas, por falta de garantias, as mulheres com baixos rendimentos eram, na época, muitas vezes ignoradas pelos bancos. Assim, em 1979, a empresária ganesa ajudou a fundar e tornou-se presidente do Conselho de Administração da Women’s World Banking, que empresta milhões de euros a milhares de mulheres pobres para que estas criem os seus próprios negócios para alcançar os seus objetivos financeiros.

Esther Afua Ocloo faleceu em 2002, vítima de pneumonia. Foi casada e teve quatro filhos.

98º aniversário do nascimento de Esther Afua Ocloo – 18-04-2017

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2017


International Theatre Institute ITI

World Organization for the Performing Arts World
Theatre Day Message 2017

 

Isabelle Huppert, France (tradução a partir da versão original)

Já passaram 55 anos desde a primavera em que se celebrou, pela primeira vez, o Dia Mundial do Teatro.

Esse dia, ou seja, essas 24 horas começaram no Teatro Nô e Buranku, passaram pela Ópera de Pequim e pelo Kathakali, passaram entre a Grécia e a Escandinávia, foram de Ésquilo a Ibsen, de Sófocles a Stringberg, passaram entre a Inglaterra e a Itália, foram de Sarah Kane a Pirandello. Passaram, entre outros países, pela França, onde nos encontramos, e por Paris que continua a ser a cidade do mundo que recebe o maior número de companhias estrangeiras. Em seguida, as nossas 24 horas levaram-nos da França à Rússia, de Racine e Molière e a Tchékhov depois, atravessando o Atlântico, chegaram a um campus universitário californiano onde as pessoas podem, quem sabe, reinventar o Teatro. Porque o Teatro renasce sempre das cinzas. Ele não passa de uma convenção que temos de constantemente abolir. É por isso que continua vivo. O Teatro tem uma vida irradiante, que desafia o espaço e o tempo, as peças mais contemporâneas são alimentadas pelos séculos passados, os reportórios mais clássicos tornam-se modernos de cada vez que os encenamos.

Uma Jornada Mundial do Teatro não é, evidentemente, como um dia banal das nossas vidas quotidianas. Esta Jornada faz reviver um imenso espaço-tempo e para evocar esse espaço-tempo, vou invocar um dramaturgo francês, tão genial como discreto, Jean Tardieu. Citando-o: — «Para o espaço ele pergunta qual é o caminho mais longo de um ponto para outro…. Para o tempo sugere medir em décimas de segundo o tempo que demora pronunciar a palavra «eternidade». Para o espaço-tempo ele diz ainda: “Fixai no vosso espírito, antes de adormecer, dois pontos quaisquer no espaço e calculem o tempo que é preciso para, em sonho, ir de um ponto ao outro.» É a expressão “em sonho” que sublinho. Poderíamos dizer que Jean Tardieu e Bob Wilson se encontraram. Podemos também resumir o nosso Dia Mundial do Teatro invocando Samuel Beckett que pôs a Winnie a dizer, no seu estilo expedito: «Oh que lindo dia que poderia ser.» Ao pensar nesta mensagem, que fizeram a honra de me pedir, lembrei-me de todos esses sonhos, de todas essas cenas.

Então, não chego sozinha a esta sala da UNESCO: todas as personagens que representei me acompanham, os papéis que pensamos que nos abandonaram quando acaba, mas que têm em nós uma vida subterrânea, prestes a ajudar ou a destruir os papéis que lhes sucedem: Fedra, Araminta, Orlando, Hedda Gabbler, Medeia, Merteuil, Blanche Dubois… Acompanham-me, também, todos os personagens que amei e aplaudi como espectadora. E nesse lugar, pertenço ao mundo inteiro. Sou grega, africana, síria, veneziana, russa, brasileira, persa, romena, japonesa, marselhesa, nova-iorquina, filipina, argentina, norueguesa, coreana, alemã, austríaca, inglesa, isto é, o mundo inteiro. A verdadeira mundialização é esta.

Em 1964, por ocasião desta Jornada Mundial do Teatro, Laurence Olivier anunciou que, depois de mais de um século de combate, se conseguira, por fim, criar em Inglaterra um Teatro Nacional, que ele quis imediatamente que fosse um teatro internacional, pelo menos no seu repertório. Ele sabia bem que Shakespeare pertencia a todo o mundo no mundo.

Adorei saber que a primeira mensagem destas Jornadas Mundiais do Teatro, em 1962, foi confiada a Jean Cocteau, escolhido por ser, como se sabe, o autor de «uma volta ao mundo em 80 dias». Eu fiz a volta ao mundo de uma outra maneira: fí-la em 80 espectáculos ou em 80 filmes. Digo filmes porque não faço nenhuma diferença entre representar no teatro e representar no cinema, o que surpreende sempre que o digo, mas é verdade, é assim. Nenhuma diferença.

Falando aqui, não sou eu própria, não sou uma actriz, sou apenas uma das numerosas pessoas graças às quais o Teatro continua a existir. É um pouco o nosso dever. E a nossa necessidade: Como dizer: Nós não fazemos existir o Teatro, é graças ao Teatro que nós existimos. O Teatro é muito forte, resiste, sobrevive a tudo, às guerras, às censuras, à falta de dinheiro. Basta dizer: «O cenário é um palco nu de uma época indeterminada» e chamar um actor. Ou uma actriz. Que vai ele fazer? Que vai ela dizer? Irão falar? O público espera, vais já saber, o público sem o qual não há Teatro, nunca nos esqueçamos. Uma pessoa no público é um público. Não muitas cadeiras vazias, esperemos! Salvo em Ionesco… No fim, a Velha diz: «Sim, sim morramos em plena glória…. Morramos para entrar na lenda… Ao menos teremos a nossa rua…»

A Jornada Mundial do Teatro existe há 55 anos. Em 55 anos, sou a oitava mulher a quem é pedido para fazer uma mensagem, enfim, não sei se a palavra “mensagem” é apropriada. Os meus antecessores (o masculino impõe-se!) falaram sobre o Teatro da imaginação, da liberdade, da origem, invocaram o multicultural, a beleza, as questões sem respostas… Em 2013, há somente quatro anos, Dario Fo disse: «A única solução para a crise reside na esperança de uma grande caça às bruxas contra nós, sobretudo contra os jovens que querem aprender a arte do teatro: nascera assim uma nova diáspora de actores, que irá sem dúvida retirar desta situação benefícios inimagináveis para a criação de uma nova representação.» Benefícios inimagináveis é uma bela fórmula digna de figurar num programa politico, não? … Já que estou em Paris, pouco antes de uma eleição presidencial, sugiro àqueles que têm ar de quem nos quer governar que estejam atentos aos benefícios inimagináveis que traz o Teatro. Mas nada de caça às bruxas!

O Teatro, para mim, é o outro, é o diálogo, é a ausência de ódio. A amizade entre os povos, não tenho bem a certeza o que quer dizer, mas acredito na comunidade, na amizade dos espectadores e dos actores, na união de todos que o teatro une, nos que o escrevem, naqueles que o traduzem, nos que o iluminam, vestem, o cenografam, nos que o interpretam, nos que o fazem, naqueles que o vão ver. O teatro protege-nos, abriga-nos…. Acredito totalmente que ele nos ama … tanto quanto nós o amamos …. Lembro-me de um velho ensaiador à antiga que, antes do levantar da cortina, dizia, todas as noites nos bastidores, em voz firme: «Lugar ao Teatro!». Esta será a expressão do fim. Obrigada.

Tradução: Margarida Saraiva
Revisão: Eugénia Vasques e Verónica Costa

https://www.estc.ipl.pt/mensagem-do-dia-mundial-do-teatro-2017/

Poema de e. e. cummings “Trago o teu coração comigo”

Trago o teu coração comigo
guardo-o dentro do meu coração
Nunca estou sem ele
para onde quer que vá, vais comigo, meu amor
E o que é feito por mim, tu também fazes, minha querida
Não temo o destino
pois tu és o meu destino, minha doçura
Eu não quero outro mundo
porque tu és o meu mundo, minha verdade

Tu és o significado da Lua
Onde quer que o Sol brilhe, tu és o seu canto

Aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
Aqui está a raiz da raiz e o botão do botão
E o céu do céu de uma árvore chamada vida
A qual cresce mais alto
Do que a alma possa esperar ou a mente esconder
Esta é a maravilha que mantém as estrelas separadas

Trago o teu coração comigo
guardo-o dentro do meu coração

Composto a partir das traduções de Helga Piçarra e Manuel Anastácio

Sobre o autor:

e. e. cummings, poeta norte-americano, nasceu em 1894 e morreu em 1962. Conquistou, ainda em vida, um lugar permanente entre os maiores poetas de nosso tempo. Ainda se comenta muito das suas inovações em tipografia e pontuação, que foram, por alguns, mal entendidas como meros “efeitos”, mas o leitor cuidadoso verá que elas são um aspecto de sua busca pela expressão mais pura e clara de seus pensamentos e sentimentos. Uma maneira de renovação da linguagem que só os grandes poetas conseguem. cummings era único dentre os poetas de seu tempo, pois era igualmente extraordinário na sátira e no sentimento e lutava vigorosamente contra a pomposidade e a pretensão. É considerado um dos poetas que escreveu os mais emotivos poemas de amor de todos os tempos. O poema acima foi lido numa das cenas finais do filme “In her shoes”, de Tony Scott, pela personagem interpretada por Cameron Diaz.

in http://www.releituras.com/eecummings_coracao.asp

2016-12-27 Poema “Dar, base espiritual da prosperidade” – São Lourenço de Selho

Pequena reflexão:

Não há nada de complicado no ato de dar!
Se for para encher aquele saco de bens não perecíveis, sim, é simples.
Se for às pessoas que conhecemos é importante ir de encontro às suas necessidades, aos seus gostos e dar a conhecer os nossos.
Se no dar estiver a troca de informação, de conhecimento, de sentimentos estamos a criar riqueza.
Dar, base espiritual
Dar, base espiritual
Poema:
A época do ano que mais convida a dar
É em dezembro e é sem dúvida o Natal!
Os olhos de quem recebe a mergulhar
ficam num oceano de emoção divinal!
Se isso acontece é porque foi verdadeira
A procura da causa de tanta felicidade.
Entre os adultos esta situação em cadeia
Pode criar uma sincera prosperidade.

2016-03-30 a 04-03 Viagem de sonho a Viena de Áustria

Este será mesmo um artigo em construção. A riqueza desta viagem foi tão grande que a sua descrição levará alguns dias.

A cidade é majestosa e mantem vários edifícios que foram palácios de famíliaRomy Schneider como Sissis abastadas do antigo império Autro-Húngaro. Desde a minha infância, que sonhava visitar esta cidade após ter visto um filme, bastante longo, sobre a biografia da Imperatriz conhecida por “Sissi”.

Mensagem do Dia Internacional do Teatro – 2016

A FPTA – Federação Portuguesa de Teatro, associa-se ao Instituto Internacional do Teatro (ITI), e partilha a mensagem oficial que assinala a comemoração do dia 27 de Março, Dia Mundial do Teatro.
Este ano a honra de escrever a mensagem foi atribuída ao encenador russo Anatoli Vassiliev.

Mensagem do Dia Mundial do Teatro 2016

Será que precisamos de teatro?
Esta é a questão que milhares de profissionais dececionados com o teatro, e que milhões de outras pessoas que estão cansados dele, perguntam a si próprios.

Para que é que precisamos dele?

Nos anos em que a cena é tão insignificante quando comparada com os bairros das cidades e capitais do mundo, onde estão em cena as autênticas tragédias da vida real.

O que é para nós?

Galerias e balcões dourados em salas de espectáculo, braços de cadeiras aveludadas, bastidores sujos, vozes de actores bem polidas, ou vice-versa, algo que pode ser aparentemente diferente: caixas negras, manchadas com lama e sangue, com um amontoado de corpos nus dentro.

O que é capaz de nos dizer?

Tudo!

O Teatro pode dizer-nos tudo.

Como os deuses habitam nos céus, e como os prisioneiros definham em caves subterrâneas esquecidas, e como as paixões nos podem elevar, e como o amor nos pode abater, e como ninguém precisa de uma boa pessoa neste mundo, e como a mentira reina, e como as pessoas vivem em apartamentos, enquanto crianças murcham em campos de refugiados, e como todos eles terão que voltar ao deserto, e como, dia após dia, somos forçados a nos separar dos nossos entes queridos, – o teatro pode dizer-nos tudo.

O teatro tem sido, e manter-se-á eterno.

E agora, nestes últimos cinquenta ou setenta anos é particularmente necessário. Porque se observamos como está a arte popular, vemos imediatamente aquilo que apenas o teatro nos está a dar – uma palavra de boca a boca, um olhar de olho a olho, um gesto de mão a mão, e de corpo a corpo. Não precisa de intermediários para trabalhar junto dos seres humanos, – constitui a parte mais transparente da luz, não pertence ao sul, ao norte, este ou oeste, – oh não, é a própria essência da luz, a brilhar nos quatro cantos do mundo, imediatamente reconhecido por qualquer pessoa, quer seja hostil ou amigável para com ele.

E nós precisamos de teatro que permanece sempre diferente, nós precisamos de teatro de diferentes géneros.
Mesmo assim, penso que de todas as possíveis formas e contornos do teatro, são as suas formas mas arcaicas que terão atualmente uma maior procura. O teatro de formas rituais não se deve opor artificialmente ao das nações ditas “civilizadas”. A cultura secular está cada vez mais emasculada, a chamada “cultura informativa” gradualmente substitui e faz desaparecer entidades simples, bem como a nossa esperança de as encontrar um dia.

Mas eu agora vejo-o claramente: o teatro está a escancarar as suas portas. Admissão livre para todos.

Para o inferno com os aparelhos e computadores – vão simplesmente ao teatro, ocupem filas inteiras nas plateias e nas galerias, ouçam o mundo e vejam as imagens vivas! – é o teatro na vossa frente, não o negligenciem e não percam uma oportunidade de participarem nele – talvez seja a oportunidade mais preciosa que partilhamos nas nossas vidas apressadas e egocêntricas.

Precisamos de todos os géneros de teatro.

Existe apenas um teatro que seguramente não é necessário para ninguém – refiro-me ao teatro do jogo político, o teatro das “armadilhas” políticas, o teatro dos políticos, o fútil teatro da política. O que nós seguramente não precisamos é do teatro do terror diário – quer seja individual ou colectivo, o que nós não precisamos é do teatro dos corpos e do sangue nas ruas e praças, nas capitais e nas províncias, o teatro falso das batalhas entre religiões e grupos étnicos…

Anatoli Vassiliev

Tradução do Russo para Inglês: Natalia Isaeva
Tradução para Português: Bruno Daniel Gomes, com revisão de Fernando Rodrigues
(FPTA – Federação Portuguesa de Teatro)

Notas sobre o autor

Anatoli Vassiliev é um encenador e professor de Teatro Russo aclamado internacionalmente. É o fundador da Escola de Teatro de Moscovo para as Artes Dramáticas. Escola actualmente situada na Rua Sretenka num espaço arquitectónico original, concebido de acordo com o plano de Vassiliev para o propósito da pesquisa teatral, à qual está dedicado.

Ensinou muitas vezes no Conservatório Estatal de Lounatcharski de Artes Dramáticas (GITIS), no Instituto de Cinema de Moscovo (VGIK) e no ENSATT (École nationale supérieure des arts et techniques du théâtre) em Lyon, França. É considerado o maior encenador russo da sua geração

Filme “Boychoir” – “O Coro”

Dirigido por François Girard em 2014, este filme traduz a transformação que a música pode representar para quem tudo perdeu, ganhando esperança num rumo coBoychoirm sentido. Se é verdade que o tema não é novo, é contudo muito bem representado por um elenco de luxo no qual destaco Dustin Hoffman, Kathy Bates, Debra Winger e Josh Lucas. É sempre importante relembrar que a música tem um forte poder de libertar para a cura se for essa a nossa intenção.